Arquivo de Dezembro, 2006

Acolhida em São Luís

Procurar um lugar pra passar a noite é sempre uma tarefa entediante, principalmente quando se está cansado da viagem e não sabe andar na cidade. O Guia 4 Rodas havia nos ajudado em Belém, mas aqui em Saint Louis resolvemos procurar por conta própria.

Depois de deparar com vários hotéis ou muito caros ou muito lotados (situação esperada nessa época de fim de ano), começamos a bater nas portas das pousadas na Avenida Litorânea que, como também era de se esperar, também estavam lotadas.

Eu já havia saído, estava bem na frente, começando a procurar uma nova pousada quando percebi que o Thiago havia ficado pra conversar com um homem que correu a atravessar a avenida ao ver as nossas motos. Trazendo consigo o espírito de companheirismo típico da comunidade motociclista, arranjou um quarto muito bom pra gente na Pousada Vela Mar.

Esse homem não era ninguém menos que o gaúcho Sandro, também conhecido como Sandro Show, por causa de seus shows de acrobacias com motos. Proprietário do Adventure Beach Bar Moto Point, quiosque à beira-mar e aparentemente o único bar temático para motociclistas da cidade, situado exatamente na frente da pousada que demos entrada. Alguém consegue imaginar um lugar melhor pra ficar? Alguém consegue imaginar onde vai parar todo o meu dinheiro destinado a festa nesse feriadão? :-)

Antes de terminar a primeira cerveja, já conhecemos o Ari, integrante de um motoclube local (lembrem-me de conseguir o nome depois para os devidos créditos). Nos deu vários toques sobre a cidade e o contato de um mecânico filé pra apertar os parafusos e dar um olhada no probleminha do motor de arranque da moto do Thiago.

Mas a surpresa da noite veio de uma moto esquisita, alta pra caramba, cheia de bagagens e com uma placa alienígena estacionada perto da nossa mesa que o Sandro havia me chamado a atenção. Acabamos conhecendo o Hank, norte-americano vindo da Califórnia, que ficou muito feliz em poder conversar em seu idioma nativo com alguém.

Hank (carinhosamente apelidado pelo Thiago de “Hank, the tank”, duas cervejas depois) está viajando a quase um ano. Largou seu emprego na Califórnia e partiu em direção a América Central. No Panamá, despachou sua moto por avião para Bogotá, na Colômbia, onde começou a descer a América Latina, passando pelo Peru, Equador, Chile (Andes) até Argentina e Uruguai. A partir dali, entrou no Brasil pelo Chuí e está subindo o litoral pra voltar pra casa (via Macapá, Guianas, Suriname, Venezuela, etc).

Não consigo dizer o quão legal foi ter topado com o protagonista de uma empreitada tão fantástica. Com certeza o início de nossa viagem será muito mais inspirado depois disso. E até ó próximo trecho de estrada (dia 1 ou 2Jan), vamos aproveitar o que São Luís tem de melhor a oferecer.

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Belém - São Luís

Chegamos em São Luís ontem. Uma viagem muito tranquila sem nenhum contratempo. Pegamos a BR 316 até Governador Nunes, um asfalto muito bom. Lá saímos da BR 316 rumo a Cojupe, para pegar a balsa e cortar caminho. Não se assuste com a estrada de Presidente Nunes a Santa Helena, o pior trecho que pegamos (cerca de 30 Km). Tem alguns buracos mas com atenção dá para ir numa boa. Após Santa Helena é só alegria, um asfalto com cara de ter sido inaugurado a menos de 3 meses. É bom ter cuidado no interior do Maranhão com os animais na pista, gado principalmente.

Não pegamos fila para o embarque na balsa, mas os carros esperam por até 3h. O preço por moto é de R$ 25,00 e para carro R$ 50,00. A equipe da balsa é muito profissional e no barco há uma boa lanchonete. O trecho de balsa até São Luís tem o mar bem agitado, o que infelizmente faz com que espirre água salgada nos veículos. Procure um lavajato assim que chegar em São Luís.

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Terra do Sarney

Passeando pelo Maranhao, em Pinheiros, quase na balsa para Sao Luis. T

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Sao Luis, aí vamos nós

Eu e o Thiago acordados desde as 7hs da manha correndo atrás das últimas pendencias antes de cair na estrada. Dia extremamente cansativo, porém muito produtivo gracas a ajuda que tivemos (valeu de novo, Danilo). O cansaco é tanto que chegamos a rejeitar uma oportunidade de conhecer as baladas aqui de Belém, um tal de Techno Brega (pra quem nos conhece sabe o quanto isso é grave…).

Com bagagens prontas, a idéia é pegar a estrada antes das 6hs da manha dessa quinta, em direcao a Alcantara, onde tem um ferry boat pra nos levar até Sao Luis. Aparentemente a BR 316 foi consertada, a única preocupacao é após sair dela, um trecho de uns 40km onde o asfalto é pobre. Se tudo der certo, antes das 18hs já estaremos comendo camarao a beira-mar (hmm, o Thiago talvez deixe passar esse prato).

Agora f*deu, papai. Comecou a viagem no asfalto!!!

Boa noite a todos.

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Agradecimento ao Pará Moto Clube

Poucas vezes presenciamos a realizacao dos conceitos de companheirismo e solidariedade. Pra nossa sorte isso aconteceu num período crítico, no marco zero de nossa viagem.

Após algum tempo googlando atrás de motoclubes no Pará, o Thiago encontrou o e-mail do Alfredo, um dos integrantes do Pará Moto Clube. Com boa vontade suficiente até pra trocar e-mails durante a época de natal, acabamos marcando um encontro no dia 26 pra conhecer o restante do pessoal e conversar sobre a viagem.

21h30, o último bar de uma área fechada próxima à Basílica de Nazaré. Foi incrível a quantidade de informacao útil que apareceu em tao pouco tempo. Mas nao era para menos, estávamos sentando numa mesa com pessoas que já tinham viajado várias vezes até Sao Paulo ou que já haviam encarado a cordilheira dos Andes. Experiencias nao faltavam.

Ganhamos alguns toques sobre as estradas da regiao, soubemos da fiscalizacao de transito acirrada dentro da cidade, tivemos contato com a filosofia do Brazil Riders, ouvimos falar do tal do Iron Butt, vimos várias motos maravilhosas bem de perto (destaque para uma Intruder LC e uma Harley Electra Glide Classic, a primeira atualmente dividindo a minha preferencia com a Fat Boy) e ainda com direito a escolta especial até a porta de casa. Tem gente que pagaria por esse tipo de coisa.

Pessoas incríveis* como o Alfredo, Fernando e sua esposa, Fidalgo, Ceará, Danilo e Paulo Nunes (futuro primeiro Iron Butt do Pará, com certeza ;-) ) me mostraram como deve ser um motoclube de verdade, muito mais baseado em solidariedade e companheirismo do que em regras e restricoes. Criaram um novo e belo conceito desse termo em minha cabeca, que pretendo levar para o resto da vida.

Pra todo o pessoal do Pará Moto Clube, o nosso muito obrigado! Rodaremos muito mais preparados e seguros depois de te-los conhecidos.

E que os deuses do asfalto nunca lhes decepcionem.

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