Arquivo de Janeiro, 2007

Salvador/BA - Governador Valadares/MG

Decidimos ir para Minas Gerais pela BR-116, com uma escala em Vitória da Conquista (chega de litoral, queríamos cortar as montanhas!). A viagem foi longa, aproximadamente 550 Km. O que ajudou foi a estrada, que estava um tapete, com retões intermináveis.

Rio - Bahia e seu bom estado de conservação no trecho Feira de Santana - Vitória da Conquista Ainda na parte baiana da 116

Vitória da Conquista é uma cidade muito legal, com bons bares e hotéis. Recomendo como ponto de parada para quem está fazendo Salvador - BH. A cidade tem uma praça onde se concetra a maioria dos bares. Preste bastante atenção no anel rodoviário na hora de deixar a cidade, porque a saída para a BR-116 não é sinalizada, o que nos fez perder meia hora de viagem seguindo um caminho errado.

Chegando em Minas a situação da BR-116 muda. O asfalto está bem rachado e com alguns buracos, a maioria rasos, mas ainda sim perigosos. Atenção redobrada, aumentando o desgaste na viagem. Note que em toda a BR-116 o trânsito é intenso, principalmente de caminhões. Infelizmente vimos diversos motoristas impacientes, querendo chegar 2 minutos mais cedo no destino, realizando ultrapassagens suicidas, colocando todos em perigo.

Já em Minas Gerais, observe que o asfalto da 116 já não é tão novo... Milton e a pedra Azul Paisagem típica do vale do rio doce

Ao chegar em Governador Valadares, fomos recebidos pelo Moacyr, ex-colega de trabalho em Manaus. Moa e sua família possuem um excelente restaurante japonês na cidade chamado Du Japa, com muita variedade de pratos orientais e alguns pratos exclusivos que valem a pena conferir. Moa e seu irmão Léo, fizeram uma promessa em junho do ano passado em um barco a caminho de Parintins - AM (provavelmente estavam bêbados quando a fizeram) que nos levariam para a boate Monalisa, melhor point da noite de GV, para uma área VIP com uísque liberado se um dia dessemos as caras por Governador Valadares. Talvez acharam que nunca apareceriamos por lá (brincadeira). Homens de palavra, pagaram a promessa. Acabamos saindo no dia seguinte por volta de 13:30 (porque será?) para pegar estrada para Pará de Minas (onde meus pais moram, 73 Km de BH).

Anfitriões em GV Anfitriões em GV As belas montanhas de Minas Gerais

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Enfim Pará de Minas

Mais de seis horas de viagem depois de sair de Valadares e contando mais de mil e trezentos quilômetros desde anteontem, chegamos na terra do Putako. Teve até recepção no bar da cidade, seguida de um jantar arregado na casa dos pais do Thiago.

Isso é só um status rápido, amanhã a gente atualiza com os outros trechos e detalhes da recepção.

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Aracaju/SE - Salvador/BA

Sem orientação segura, o negócio foi pegar a 101 até chegar na linha verde, uns 60km após Aracaju, após Estância/SE. No trevo pra pegar a linha verde lixei o peito de aço da minha moto numa lombada formada pela deformação do asfalto da BR, chegou a desengrenar a marcha.

Apesar do mal-início, a passagem pela estrada foi extremamente agradável. O pavimento estava muito bom, alguns trechos tinham três faixas, o acostamento era bem amplo e o tráfego pequeno. As várias curvas do percurso não deixavam a viagem ficar cansativa. A paisagem era um show a parte, com vegetação passando de coquerais a pinheiros e mata atlântica, com bois e cavalinhos no meio pra enfeitar.

Linha Verde - divisa Sergipe/Bahia 1 Linha Verde - divisa Sergipe/Bahia 2
Linha Verde - área de pinheiros Linha Verde - viação bunda no posto do pastel gigante Linha Verde - admirando os adesivos dos vários motoclubes
Com tempo de sobra pra chegar em Salvador, paramos na Costa do Sauípe pra tentar conhecer o lugar. Só tentar mesmo, já que cobravam 50 pila pra passar da recepção. Nem podia ir de moto, tinha que pegar o micro-ônibus. Tomamos o rumo em direção a saída pra continuar a viagem.
Costa Sauípe - pagando de gatão na recepção do lugar Costa Sauípe - barrados na portaria
Frustados pela dificuldade em conhecer o reduto da nata social, o negócio foi visitar rapidamente a Praia do Forte. O acesso é paralelepípedo, porém plenamente trafegável. Lá passeamos pelo museu da baleia jubarte, tirando fotos com a ossada de baleia e placas informativas. Dois refrigerantes e umas respiradas profundas depois, recuperamos a animação pra encarar o sol escaldante e completar o pedacinho de viagem que restava.
Praia do Forte - museu jubarte, placa explicativa 1 Praia do Forte - museu jubarte, ossada da baleia Praia do Forte - museu jubarte, placa explicativa 2

Mais pra frente a rodovia passa a se chamar Estrada do Côco e é pedagiada. O trecho inteiro estava tão bem cuidado que nem nos importamos em pagar os R$ 2,20 cobrados pra moto.

Nossa estadia em Salvador não foi em Salvador, hehehe. Ficamos em Lauro de Freitas/BA, na casa dos pais do Eduardo, que já estava a um dia com o Jonas nos esperando. Após uma saudosa comidinha caseira de primeira, saímos pra visitar alguns pontos turísticos da capital baiana.

Salvador é gigantesca. Assusta mesmo o tanto que se anda pra conseguir chegar nos lugares, sem falar nas colossais fundações do metrô elevado que está sendo construído, parece coisa de filme futurístico.

Rumamos para o pelourinho, pra conhecer as praças principais e algumas igrejas. Aliás, o que não falta na cidade é igreja, uma mais antiga que a outra, com muita história pra contar. Na região do pelourinho, as construções são apertadas umas as outras, formando becos onde só se passa a pé. Todos os prédios antigos abandonados abrigam mendigos e carentes, portanto não fique de bobeira nesses cantos, principalmente a noite e desacompanhado.

Claro que visitamos o famoso Elevador Lacerda, que cobra cincão no transporte por pessoa. Cinco centavos, é claro.

Salvador - Catedral (parece que tem um bispo importante morando ali) Salvador - fonte escura na frente da catedral

Salvador - placa da Igreja de São Francisco Salvador - Igreja de São Francisco, no pelourinho Salvador - placa da igreja da terceira ordem Salvador - igreja da terceira ordem, ao lado da de São Francisco
Salvador - banquinha do preto véio, rapé mais famoso da região Salvador - praça na frente do elevador Lacerda

Salvador - Elevador Lacerda visto por cima Salvador - elevador Lacerda visto por baixo
Na volta pra casa, evitamos o engarrafamento causado pelo Festival de Verão. O bicho pegou nessa festa, pena não termos tido tempo pra aproveitá-la melhor.

Não posso terminar esse post sem agradecer ao Eduardo e sua família, que nos acolheram com muito requinte e descontração em sua casa. O paranaense e o mineiro aqui agradecem! Contem com a gente quando precisarem de alguma assistência em nossas terras.
Lauro de Freitas - Milton trabalhando madrugada adentro pra atualizar o blog Lauro de Freitas - Eduardo fascinado pelo seu novo notebook, já com wireless habilitado Lauro de Freitas - tem 3 nerds nessa foto, consegue encontrá-los?

Sexta-feira, dia 26 é dia de ver até onde chegamos com nossas máquinas. A idéia é tentar fazer mais de mil quilômetros pra chegar em Governador Valadares/MG. Julgando pelo horário dessa postagem, a chance de ficarmos em Vitória da Conquista/BA é grande :-P

Até breve!

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Maceió/AL - Aracaju/SE

Uma boa noite de sono no albergue de Maceió e colocamos as motos na estrada rumo a Aracaju. Parada prevista na Praia do Francês, muito bem falada por várias pessoas. Realmente o lugar é paradisíaco. Dizem que fica lotado final de semana como Porto de Galinhas, então recomendo a visita de segunda a quinta. O Milton ficou fascinado com um barco voador, chegou até a fazer dois vídeos [1, 2] sobre a engenhoca. Almoçamos e pegamos estrada.

Praia do Francês Praia do Francês Praia do Francês

Sempre que podemos, estamos pegando as estradas do litoral para curtir o visual e evitar o tráfego pesado de caminhões da BR-101. Acertamos em cheio seguindo pela AL-101. Bom asfalto e um visual maravilhoso.

Visual da AL-101

Chegamos a praia do Gunga onde nos deparamos com um mirante construído por um fazendeiro local com recursos próprios. Mereceu até um vídeo com um 180 graus. No mirante encontrei alguns mineiros que estavam em viagem para Maceió (reconheci o sofredor pela camisa do Cruzeiro). Mineiro é praga e tem pra todo lado!

Placa do mirante do Gunga Vista da escada do mirante do Gunga Mirante do Gunga

Continuamos rodadando até perto da foz do Velho Chico. Infelizmente o acesso a foz só se dá por meio de veículos off-road pela orla da praia (22 Km) durante a maré baixa ou por barco. Frustrados, continuamos até Penedo, cidade histórica. De lá pegaríamos a balsa para atravessar o rio São Francisco para Neópolis, já em Sergipe.

Penedo, com o Rio São Francisco ao fundo O Velho Chico Fila para a balsa no São Francisco

Posto de gasolina em Penedo Travessia de balsa no São Francisco Vista de Penedo da balsa

Chegando em Sergipe, partimos para a BR-101. Para nossa infelicidade, um acidente com uma carreta de queijo fez um congestionamento de 20 Km, que nos segurou na estrada por mais de uma hora. A noite caiu e ainda estávamos no congestionamento. Locais roubaram a carga derramada e começaram a vender para as pessoas. Não comprei o queijo roubado, sem piadas de mineiro e queijo, ok?

Chegamos à noite em Aracaju, o que deu tempo para um pequeno passeio pela orla da cidade e um jantar em um restaurante. Apagamos em um hotel e no dia seguinte tiramos algumas fotos da cidade e rumamos para Salvador. Passagem rápida por Aracaju que não estava nos seus dias mais animados.

Aracaju Aracaju 2 Aracaju vista de uma guarita da guarda municipal

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Aconteceu na República das Bananas

Quem já foi multado sabe como é ruim a situação. Vou contar um caso que aconteceu com um amigo de um amigo meu… desses que você escuta pelas estradas. James estava indo para a praia com seu colega Ailton e por algum motivo bizarro, estava com o farol da moto apagado. Seu colega Ailton passou tranqüilamente pelo posto policial, James foi parado por causa da infração (motos devem sempre estar com o farol ligado, mesmo de dia com o sol rachando, como manda a lei). O policial já foi logo o alertando do fato. James achou que seria apenas advertido e iria prosseguir viagem, feliz pelo fato de ser alertado pelo atento policial, que o salvou do perigo de dirigir uma moto sob o incandescente sol do nordeste com o farol apagado.

A situação ficou estranha quando o guarda o chamou pra dentro do posto policial para conversar. James se surpreendeu quando o guarda lhe mostrou no código de trânsito que farol apagado de dia era uma falta gravíssima e teria sua carteira de motorista apreendida, além de perder 7 pontos. O transtorno seria ter que enfrentar a temida burocracia da República das Bananas para recuperar sua carteira (suspensão do direito de dirigir de 1 a 12 meses mais um curso de reciclagem no Detran) e arrumar alguém habilitado para conduzir sua querida moto ou pagar um reboque para um local seguro. Seria o fim da viagem para James, que ficaria sem poder dirigir motos na melhor das hipóteses, por 2 meses.

Não demorou muito para o policial lhe cantar:

- Sabe como é… não quero atrapalhar seu passeio. E estamos na hora do almoço. Você pode contribuir com o almoço do policial.

Vinte reais a menos e James segue viagem indignado. O policial ainda perguntou se James estava feliz, que, de cabeça baixa, concordou com o oficial. James iria preferir pagar a multa se sua carteira não fosse apreendida. Leis de trânsito severas e um policial corrupto que se aproveitou da situação. O que deveria ser uma medida educativa se torna um meio de extorção de dinheiro dos cidadãos, disse James.

Fiz uma pesquisa sobre o caso de James e cheguei a seguinte conclusão:

  • Dirigir moto como farol apagado de dia é equivalente a dirigir uma moto em uma roda em uma rodovia.
  • Ironicamente, o deputado Cabo Júlio achou a punição abusiva em 2004 e propôs a mudança da lei.
  • Anos depois, a proposta de mudança da lei já está quase aprovada de acordo com este texto. A nova lei diz que é gravíssimo andar com o farol apagado à noite e médio andar com o farol apagado de dia.
  • Provavelmente se fosse multado, a multa não chegaria para James, que vem de uma terra longínqua, não conveniada com os órgãos públicos reponsáveis por multas em outros estados.

A história de James seria trágica se fosse verdadeira. Eu ficaria muito decepcionado com o Brasil se algo assim acontecesse no dia a dia.

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