Arquivo de Maio, 2007

Punta del Este/UY - Montevideo/UY

Punta del Este é muito legal, muito bonita, mas custa uma boa grana. Pra quem mal conseguia sacar dinheiro, era melhor não ficar muito tempo num lugar, sob o risco de não conseguir voltar pro Brasil. Rumamos para a capital do Uruguai ainda de manhã. No caminho a beira-mar passando por Maldonado, muitas mansões, lagos, clubes e coisas chiques desse tipo, bem bonito de se ver. Na chegada a capital, a bela Ponte das Américas, com seus apoios inclinados, nos saudava.

Caminhos a beira-mar I Caminhos a beira-mar II Chegada em Montevideo

Já a procura de um lugar para ficar, uma surpresa. Ocorria na cidade a tal da Semana de Turismo, o nome local pra semana santa, já que todo mundo aproveita pra viajar. A capital estava vazia, trânsito tranquilíssimo, percorremos um bom pedaço até chegar no coração da parte velha da cidade, a Plaza Indepencia, onde sabíamos que haveria um albergue legal pra ficarmos, o Che Lagarto.

Ao centro da plaza, havia uma enorme escultura de um general montado a cavalo, José Artigas. Alguns metros abaixo, suas cinzas guardadas num salão vigiado por dois soldados, estilo grã-bretanha, fazendo-se de estátua, coisa bem surreal. Juro que não vi qualquer um deles piscar nos cinco minutos que fiquei lá dentro.

Não sei se era patriotismo mesmo, mas era interessante perceber o número de homenagens espalhadas pela cidade a grandes nomes da nação, sem falar no número de pessoas trajando roupas com as cores da bandeira. Até usei a camisa que ganhamos no motolagoa pra tentar me enturmar!

Plaza Independencia: prédio espaçonave Plaza Independencia: albergue ao lado IBM Plaza Independencia: portal
Plaza Independencia: Homenagem a José Artigas Plaza Independencia: cinzas do coronel Artigas

Todas as construções no centro velho tinham um estilo peculiar de arquitetura. O albergue não era diferente, com suas paredes ultra-espessas e pé-direito bem alto. Apesar do frio que fazia no lugar, o ambiente era bem aconchegante, por conta do pessoal que lá trabalhava e dos outros hóspedes, também muito divertidos. Numa das noites rolou um bingo onde o Thiago ganhou duas noites grátis no Che Lagarto de Buenos Aires. Perfeito pra quem estava ficando sem grana.

Na sequência fomos conhecer a balada local. Sempre que tento lembrar o nome me vem Pônei Saltitante na cabeça, mas o lugar não tinha nada a ver com a taberna do Tolkien. Tocava aqueles pagodes brasileiros muito velhos e algumas músicas esquisitas. Ah, barraram-me na entrada por acharem que estava usando bermuda de banho. Como era o único estilo de bermuda que possuía em minha bagagem e não estava com saco de voltar pra colocar calça, fiquei de papo na porta mesmo, mas parecia bem animado.

Che Lagarto/Mdeo: povo do albergue Che Lagarto/Mdeo: povo do albergue II

Ainda aproveitamos pra conhecer o porto da cidade, um dos principais do mercosul. Percorremos toda a extensão do quebra-mar pra apreciar a orla mais de longe. Numa parada pra fotos, conhecemos um carioca que estava dando um tempo na cidade até seu barco zarpar. Os brasileiros estão em todos os cantos!

Voltando pro albergue, tivemos que lidar com o fato de que a grana estava curta. Com os bancos fechados até segunda por conta do feriado e os caixas automáticos cuspindo nossos cartões (o Itaú de lá é diferente do Itaú daqui, assim como o banco Real), rodamos pela avenida principal até descobrimos um jeito de sacar dinheiro, o que salvou nossa excursão. Os cassinos locais possuem caixas automáticos que aceitam todo tipo de cartão. Foi só descobrir minha senha de saque cash pra arranjarmos umas verdinhas e garantirmos o resto da viagem.

Cidade antiga: calçadão central Orla Quebra-mar na entrada do porto
Comecinho do porto de Montevideo Orla II Forte

Comentarios (3)

Rio Grande/RS - Punta del Este/UY

Quando saímos de Manaus/AM, o ponto mais ao sul do Brasil previsto para a viagem seria Porto Alegre/RS. Se conseguíssemos poupar nossas limitadas verbas, segueríamos viagem até a Argentina, passando pelo Uruguai. Com a ajuda dos amigos que nos hospedaram em suas casas em diversos lugares pelo Brasil, foi possível tornar nossa viagem internacional. De Rio Grande/RS seguimos direto até Punta del Este no Uruguai, uma das principais cidades turísticas daquele país.

No meio do caminho, fica a cidade da fronteira entre os países, Chuí (ou Chuy no lado uruguaio). O caminho de Rio Grande/RS a Chuí/RS é uma reta interminável de cerca de 210 Km. Existem poucos postos de gasolina no caminho e chegamos a comprar gasolina a 4 reais/L em uma lanchonete com medo de pane seca.

Só reta a frente Só reta a trás Mais campo na paisagem
Resumo dos caminhos pintado na parede Quem não quer conhecer esse lugar?

Vale lembrar que Chuí é uma cidade lendária no Brasil por ser o extremo sul do nosso território. Infelizmente, diferente do extremo leste, não existe nenhum marco rodoviário, placa comemorativa, estátua ou qualquer coisa interessante que se possa fotografar. Cheguei a me aventurar no meio da vegetação no Arroio Chuí procurando um marco, mas em vão. Decepcionados, no contentamos com a foto da placa rodoviária padrão (já vi esse filme antes em São José do Norte/RS).

Primeira opção de travessia da fronteira (ponte) Opção principal pra travessia da fronteira

Durante toda a viagem, andamos com poucas notas no bolso, sacando o dinheiro sob demanda nos caixas eletrônicos. Contamos que em Chuí, uma cidade de fronteira, teria toda a infraestrutura bancária necessária para atender os turistas. Infelizmente só tinha Banco do Brasil e Caixa, os bancos padrões brasileiros. Nem um maldito caixa da rede compartilhada Banco 24Horas tinha. Sem dinheiro no bolso, trocamos o pouco de real que possuíamos por dólares e compramos dólares no cartão de crédito no Banco del la República Oriental del Uruguay. Compre seus dólares sempre no banco com seu cartão de crédito internacional, você paga a cotação do dólar no dia do vencimento da sua fatura, normalmente é a melhor opção. Note que ninguém soube me dizer o porque o Uruguai é oriental.

Ainda sobrou tempo para almoçar a tradicional parrillada, prato feito com víceras assadas (quase torradas) de diversos animais com um sabor no mínimo estranho. Só experimentando para descrever, mas se você gosta de buchada de bode, vai gostar deste prato.

Ainda tentamos antes de cruzar a fronteira conseguir a carta verde, mas um vendedor de carta verde (que era motociclista) nos disse que não fazem para motos. Relembrando, a carta verde é um seguro obrigátorio que todo país do Mercosul exige para um carro estrangeiro entrar no país. O vendedor também disse que no Uruguai a polícia é super tranquila e não iria incomodar, fato que comprovamos no caminho.

Chegamos em Punta del Este já escurecendo. No caminho, destaque para um forte no alto de uma montanha e uma pista de pouso para aeronaves em emergência que surgiu no meio da rodovia. Rodovias que por sinal são pedagiadas (mas motos não pagam) e estavam em ótimas condições.

Ilha arborizada no horizonte Marina cheia da iates Capelinha nas pedras
Máquinas na bela orla Milton posando pra foto

Punta del Este é uma cidade puramente turística, com uma ótima infraestrutura. Os preços são razoáveis. Ficamos no hotel Oásis, ao lado do principal cassino, ao custo de US$ 45 a diária. A urbanização da cidade é de encher os olhos. Uma escultura interessante que vimos foi uma mão que parece estar saindo da areia da praia, logo na entrada da cidade.

Na noite, a diversão fica por conta dos bares, que estavam meio parados por causa da baixa temporada e os sempre lotados cassinos. Fomos no famoso Conrad, onde perdi alguns dos poucos dólares que tinha.

Ainda sobrou tempo em nossa estadia para exercitar o lado nerd e ver o filme 300 na pequena sala de cinema do shopping da cidade, que tinha uma tela que de tão diminuta, cheguei a desconfiar que a imagem do filme estava cortada.

Gigante de areia tentando agarrar o povo Gigante de areia pensando em derrubar uns prédios Praça das esculturas latinas

Os papelotes do lugar Cassino elite Cassino elite (a noite)

Gastem o seu dinheiro! Ambiente luxuoso Cadê as moedas que estavam aqui?

Comentarios (21)

São Lourenço do Sul/RS - Rio Grande/RS

Alguém ainda se lembra de termos visitado o quilômetro zero da BR-101 em Touros/RN? Pois é, passar por esse marco rodoviário criou, automaticamente, a obrigação de visitarmos o último quilômetro desta rodovia, desta vez no Rio Grande que é do Sul.

Saímos tarde, como de costume nos últimos meses da grande viagem, em direção a São José do Norte/RS, com esperança de atravessarmos rapidamente de balsa, tirar algumas fotos e continuar a viagem até Chuí/RS. O golpe fatal nesse planejamento foi o horário da balsa. Já era perto de 17hs e não haveria mais travessia retornando para Rio Grande no mesmo dia. O negócio foi encontrar um hotel e descansar pro dia seguinte.

Vaquinhas no campo Retas grandes começando a aparecer Portal de Rio Grande/RS

Ancoramos num hotel próximo ao porto, estilo bem antigo, com amplos salões a pé-direito exageradamente alto. Rio Grande é a cidade mais antiga do estado e tem o segundo porto mais movimentado do país, o que vem a reforçar sua forte tradição naval. Por coincidência, chegamos no meio da Festa do Mar, evento que movimentava a cidade inteira. A esquadrilha da fumaça demonstrava sua aptidão nessa tarde e o Thiago conseguiu tirar algumas fotos bacanas.

Formação básica 3 em cima de ponta-cabeça 3 em cima de ponta-cabeça II
Ponta direita desgarrada Parte superior do super tucano Parte inferior do super tucano

Dei uma passeada pelos quiosques da festa. Muitas homenagens ao Almirante Tamandaré, muitas referências e artefatos sobre a história da marinha local e muitas comidas regionais marcavam o ambiente (destaque para o peixe assado no espeto no chão). Haveria um show grande nessa mesma noite, mas confesso que não aguentei o tranco, só de ver a fila já tinha desanimado.

Café da manhã regado no hotel Pra quem ainda tem dúvida com o horário da balsa Travessia da baía

Manhã seguinte, corpos um pouco mais descansados e cabeça tranquila. Hora de cumprir o objetivo inicial. Pegamos a primeira balsa do dia, com fila relativamente pequena… para motos, é claro. A viagem não foi tão turbulenta quanto a da balsa pra São Luis/MA e em cerca de meia hora já desembarcávamos no destino.

Encontrar o último quilômetro da translitorânea não foi difícil, afinal, não há muitas saídas na cidade. Difícil foi acreditar que era só aquilo, um trechinho medíocre de estrada e uma simples plaquinha de distância. Pois é, decepcionante. Bem diferente do capricho no quilômetro inicial da mesma. Tiramos algumas fotos pra posterioridade e tratamos de correr pra balsa, tentando pegá-la antes de voltar.

Último trecho da BR-101 Daqui pra frente, 101 is no more! Marco registrado (milton)
Marco registrado (thiago) Essa dupla conheceu as pontas do BR-101 Essas máquinas também conhecem as duas pontas da 101

Chegamos a tempo pra travessia de volta, isso nos deu o resto do dia para mastigar estrada e chegar ao próximo destino.

Comentarios (4)

Porto Alegre/RS - São Lourenço do Sul/RS

Apenas para relembrar, no motoacampamento em Triunfo, fomos gentilmente convidados para participar do encontro motociclístico de São Lourenço, o Motolagoa, tido com um dos principais do Rio Grande do Sul, contando com presença de motociclistas estrangeiros.

Asfalto bem meia boca Um pouco mais da vegetação local Pôr do sol nos pampas

Como é de praxe, saímos tarde de Porto Alegre e pegamos estrada já anoitecendo. Sobre o Rio Guaíba, nos deparamos com uma ponte levadiça que infelizmente estava abaixada, o que impossibilitou contemplar o milagre da engenharia. Logo após deparamos com um pedágio da Freeway, famosa rodovia gaúcha. Detalhe que o pedágio era no fim da rodovia, portanto, pagamos cerca de 5 reais para andar uns 3 Km na mesma. Acho que foi o pedágio mais caro da viagem.

Logo chegamos a São Lourenço, cidade histórica à margem da Lagoa dos Patos. Como toda cidade histórica que se preze, as ruas são de paralelepípedos. Os parafusos da moto que estavam supostamente apertados pela revisão feita em Porto Alegre, já não estariam depois dessa. Comecei a notar que o barulho da minha moto estava diferente.

Chegamos um dia antes do início real do evento e encontramos a organização do evento, liderada pelos Guerreiros do Asfalto , que estava a todo vapor finalizando os preparativos da festa. Todos os hotéis estavam lotados, mas o Guerreiro Manoel Viana gentilmente nos arrumou uma casa de temporada por um preço bem em conta para viajantes desempregados.

Argentina e Manaus cada vez mais próximos Tarugo de palha pra comemorar a chegada Motos guardadas no cafofo alugado durante o encontro

O evento estava muito bom e bem organizado. A famigerada barraca de capeta que me derrubou no último encontro estava presente, mas desta vez rezei um “pai nosso” e fiquei longe. Entre as atrações, tivemos uma equipe de freestyle saltando em uma rampa sobre um caminhão, globo da morte com os Irmãos Rodrigues, boate, show ao vivo e um jantar de confraternização com premiação de motociclistas. Nem precisa contar que ganhamos o prêmio de “placa mais distante”.

Aglomeração bonita de se ver Cassola e o Mickey, dos abutres (uns 90% do corpo tatuado) Show do globo da morte
Saltos por cima do caminhão Pessoal na tribuna de honra Honda VTX 1800, menina dos olhos

As motos exóticas também foram uma grande atração, destaque para a Harley Davidson 59 e da Yamaha Fazer 600 dos amigos de Bento Gonçalves. O Cassola, sempre presente, fotografou essas beldades.

Fizemos amizade com os motociclistas argentinos do motoclube Tormenta del Infierno que nos deram algumas dicas sobre seu território, que está em nosso roteiro. O maior desfalque foi o Maurício, Bruxo de Aceguá, que acabou não aparecendo. Acho que ele ficou com medo da barraca de capeta. :)

Ah! E o barulho da minha moto? Era um dos escapamentos que estava caindo por causa de 2 parafusos bambos que o prendem ao motor. Foi fácil de resolver.

Portal de São Lourenço do Sul

Comentarios (1)

Triunfo/RS - Porto Alegre/RS

Ok, chega de esconder o jogo. A partir de hoje vamos matar a curiosidade de todos e contar como acabou a etapa mais ao sul de nossa viagem. Pra quem não sabe, sim, terminamos a viagem bem. O tempo de silêncio no site se deu por conta da ambientação e empenho pra conseguir um novo emprego, afinal de contas, não é só de passeio que a vida é feita (mas eu não reclamaria se alguém quisesse me financiar pra ficar fazendo só isso…).

O trecho entre Triunfo/RS e a capital gaúcha foi bem curto, por isso há poucas fotos dessa viagem. Já no destino a coisa foi diferente, muitos pontos turísticos pra fotografar e lugares pra conhecer.

Asfalto bom, descampado ao fundo Mercado municipal de Porto Alegre Praça central dos pombos
Travessa Mário de Andrade Uma das muitas capelas antigas do centro

Nossa anfitriã nos pampas chama-se Daisy, manauara de nascença e conhecida por ter trabalhado numa das empresas parceiras de projeto. A pegamos desprevenida chegando meio que sem avisar, não dando tempo de encomendar os quitutes e a banda para comemorar nossa vinda, no entanto, quem nos conhece sabe que não fazemos muita cerimônia pra coisa alguma, o que importa mesmo é a presença e, principalmente, poder conversar sobre os bons tempos em Manaus. Obrigado a Daisy por compartilhar seu tempo e atenção conosco, foram momentos muito significativos.

Cantinho do Milton Cantinho do Thiago Daisy, nossa anfitriã e os uniformes de viagem

Aproveitamos os cerca de 9.000km de viagem para fazer a última revisão nas motos em solo brasileiro. Enquanto isso, corremos atrás do maldito seguro internacional. Vão esforço. Depois de penar pra encontrarmos alguma seguradora decente, descobrimos que ninguém faz esse tipo de seguro para motos. Claro que não acreditamos, decidindo por resolver este assunto mais próximo da fronteira, onde o pessoal deve ser mais informado.

Saímos umas duas noites pra conhecer o agito da cidade e numa delas estava tendo um jogo do Grêmio. Impressionante ver todas as pessoas em todos os bares acompanhando a pelota com máxima atenção. Mais impressionante ainda ver todo mundo ir embora logo após o final do jogo. Noite fraca, ao menos serviu pra reconhecermos o exagero gastronômico típico regional, onde um inocente bauru vira um sanduíche tão grande e recheado que fica difícil até pra duas pessoas comerem.

Ainda sobre a gastronomia local, temos uma dica legal sobre um lugar pra almoçar. Dentro do campus da PUC-RS existe um restaurante elite, especializado em vários tipos de comidas, desde sushi até comida italiana, passando por churrasco e outras coisas diferentes e deliciosas. O preço é muito em conta, em média, R$16 por cabeça.

Comentarios (7)