Arquivo de Causos

Terra Brasilis: Aqui SEFAZ, Aqui Se Paga

Ok, quase despachando os notebooks, vai ficar difícil de escrever posts grandes a partir de agora, preciso terminar de uma vez essa estória.

Uma das coisas no mundo que suga minha vontade de viver em sociedade é a tal da burocracia. Infelizmente essa palavra foi recorrente ao extremo nas duas últimas semanas que passei, principalmente quando a tarefa do dia era “despachar minhas coisas pra Curitiba”.

Aqui vai uma dica pra quem não quiser se complicar. Quando vier pra Manaus, venha de mãos abanando, ou trazendo nota fiscal de tudo-eletro-eletrônico que lhe acompanha. Caso compre alguma coisa em Manaus, tambem não deixe de guardá-la muito bem e, de preferência, mande-a via transportadora com opção de mudança domiciliar.

Por causa da zona franca, Manaus exerce certas restrições sobre itens importados e, sob o ponto de vista de quem está se mudando, a principal delas é o transporte. Produtos não saem daqui sem pagar ICMS ao estado do Amazonas e, aparentemente, alguns também devem ser internados (como fizemos com as motos), pagando imposto à receita federal.

Minha missão era simples, enviar de volta a Curitiba uma mala grande com roupas e bugigangas, meu video-game trazido pela minha irmã, minha televisão LCD comprada em Manaus e meu notebook.

O lugar pra se pagar o que deve ao governo estadual é a SEFAZ, na filial da Praça Quatorze, Gerência de Desembaraço de Documento Fiscal (GDDF). Estranhamente, o departamento mais enrola do que desenrola a situação de mal-informados como eu. Gastei uma tarde por lá pro atendente me dizer que precisava reconhecer firma em cartório e fazer uma declaração dizendo que algo meu era meu (!).

DIa dois na SEFAZ. Nos primeiros quinze minutos, descubro que a tal declaração era inútil, principalmente porque agora eu tinha a segunda-via da nota fiscal de minha TV, recuperada no mesmo dia de manhã. A primeira tarefa era marcar as notas fiscais dos notebooks com o reconhecimento de entrada em Manaus. Ok, essa demorou só umas duas horas (o resto da manhã), sorte que passava um filme de garotos ninja na TV e adoro essas coisas toscas…

A segunda tarefa era pagar os impostos da TV, pra isso tive que preencher um formulário na noite anterior, constando a transportadora usada pra enviar o item, todos os dados da pessoa que a receberá no destino e mais o valor estimado do item. Com isso sai uma nota de saída da SEFAZ e mais um boleto pra pagar no banco ao lado, 17% do valor declarado. Tranquilo, só mais uma horinha jogada no lixo entre esperar na fila e carregar papel pra cima e pra baixo.

Agora uma palavrinha sobre o ambiente nesse departamento. Quando se encontra um cartaz a cada dois metros alertando sobre as punições pra quem insulta funcionário público, não dá pra se esperar grande coisa. A maioria dos funcionários de mal com a vida, fazendo bico (tudo bem, não que precisem trabalhar sorrindo como os funcionários do Mac Donalds nas antigas, mas também não precisa vestir a carranca desse jeito), pessoas desanimadas com a espera, atendentes tendo que almoçar empadas enquanto trabalhavam e um desencontro de informação geral (pra cada pessoa que descrevia minha situação, ganhava uma descrição de processo diferente). Bem o estereótipo de um setor de funcionarismo público. Dá desânimo até pra escrever…

Nessa altura do campeonato o Thiago já estava me acompanhando, tentando resolver a pendência com os notebooks. A atendente insistia na orientação de que deveríamos pagar ICMS (mais uma vez) sobre os notebooks comprados em São Paulo. Oras, a zona franca certamente não tinha coisa alguma a ver com esses produtos, por que cobrar duplamente pela sua movimentação? Fico imaginando o quanto de taxa indevidas não devem recolher por lá.

O mais desesperador dessa estória é perceber que, apesar das dúzias de funcionários colocados a disposição pelo governo lá, nenhum conseguia explicar corretamente qual era o procedimento correto pra simplesmente mandar de volta ao estado natal as coisas de alguém. No correio era de um jeito, na Receita era de outro, a cada funcionário da SEFAZ perguntado aparecia algo novo pra fazer. Acho que além de tempo, ando jogando dinheiro no lixo também.

Manaus é um buraco negro, é fácil de entrar com suas coisas lá, mas pra sair toma muito esforço. Parece um outro país até e isso não é bom para uma região que carece de integração com o restante do país.

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A Arte da Internação (aka. como retirar motos de Manaus)

Quem compra um veículo aqui em Manaus as vezes nota uma linha adicional em seu documento com os seguintes dizeres.

PROIBIDO SAIR DA AMAZÔNIA OCIDENTAL

Como a maioria dos detalhes burocráticos aqui no Brasil, isso tem significado certo: encrenca!

Traduzindo melhor, o valor pago pelo veículo só lhe dá permissão pra rodar dentro da Amazônia Legal (aqui não sei se é legal por causa de alguma lei ou pelos impostos reduzidos). Caso queira rodar por outros cantos sem maiores complicações, você precisa “internar” o veículo, ou seja, pagar os impostos de importação sobre os componentes que vêm de fora.

O procedimento é meio trabalhoso e não é qualquer um que conseguirá te explicar. Eu e o Thiago rodamos muito até acertar os ponteiros do negócio. Mandaram a gente do Detran pra Receita Estadual, da Estadual pra Federal e da Federal pro Detran novamente, criando um ciclo de desapontamento e fazendo a gente parecer um bando de peru tonto. Por sorte uma boa alma que estava no hall de entrada da Receita Federal me fez o favor de indicar a entrada correta pro labirinto burocrático que me aguardava: a Alfândega de Manaus.

O roteiro abaixo deve servir pra maioria dos casos.

  1. Alfândega
  2. Compareça na Alfândega com duas cópias de cada um dos seguintes documentos: RG, CPF, Nota Fiscal[1] e documento do veículo. Fica ao lado do Porto, é um prédio antigo bem estiloso. Não se esqueça de ir até lá bem cedo e com o veículo em questão, já que eles tiram foto do chassi e placa na mesma hora. A Alfândega emite um boleto a ser pago num banco credenciado pelo estado (Bradesco, nesses últimos anos) com o valor relativo às peças importadas. Leve-o até o…

    [1] Caso não tenha mais a nota, vá até o Detran e peça o tal do VEVEIC, onde também aparece o preço.

  3. Banco
  4. Pague esse boleto (tem uma agência do Bradesco na Sete de Setembro, a do Porto não serve) e retorne-o pra Alfândega no mesmo dia, assim a sua documentação sai mais rápido.

  5. Vistoria Detran
  6. Aproveite o pedaço de tarde que lhe resta pra fazer uma vistoria no veículo, ela será cobrada na hora de dar entrada no Detran. O pátio de vistoria fica naquela avenida principal do Aleixo que dá na bola do Coroado.

  7. Alfândega (dia seguinte)
  8. Recupere todas as vias de documentação devidamente assinadas e prepare-se pra encarar o Detran.

  9. Detran
  10. Mais xerox de documentos, não esquecer DUT original. Mais taxas pra pagar, ao menos o banco fica dentro do mesmo prédio. Ironicamente, conhecemos duas pessoas capazes de explicar o processo de internação por completo no dia que entramos com a papelada no Detran. Tudo certo, basta aguardar…

  11. Detran (três dias depois)
  12. Ok, a epopéia acabou, você deve receber o novo documento sem a fatídica linha de observação. Confira os dados, respire fundo e torça pra burocracia demorar a bater novamente em sua porta.

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O Motoqueiro Fantasma

Este é o primeiro causo que tenho para contar das minhas aventuras de moto. Voltando de Presidente Figueiredo, o Milton estava pouco a minha frente. Olhei para o retrovisor e vi duas motos se aproximando rapidamente. Algo me chamou a atenção: não haviam pilotos nas motos.

Sempre ouvimos falar de lendas nas estradas brasileiras como A Mulher de Branco (variações como Mulher de Algodão, Dama da Estrada), boa parte (ou a totalidade) fruto de alucinações de alguns motoristas de caminhão que usam algumas drogas para se manterem acordados. O Motoqueiro Fantasma é outra das lendas.

Cheguei a ficar meio assustado, não conseguia tirar os olhos do retrovisor. Cheguei a olhar para trás algumas vezes para ver com meus próprios olhos. Reduzi a velocidade e dei passagem para a abominação. Logo vi que se tratava de dois malucos apostando pega de uma forma não usual. Faziam uma espécie de Super-Man em cima da moto (que parecia ser uma Yamaha DT200). Eu e o Milton tiramos uma foto para simular como seria, vale mais que mil palavras.

O que seria o Motoqueiro Fantasma

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